Saturday, November 29, 2008

O Lula que Fala Inglês

Não gosto de Barack Obama. Pronto. Pode rasgar esta parte do jornal. Pode queimá-la. Imagino que meus poucos e indignados leitores estejam agora se perguntando quais serão os meus motivos para não gostar desta outra unanimidade mundial. Como não gostar de alguém que fale de esperança, de mudança, de sonhos e de acreditar? Como não gostar de alguém que seja tão simpático na oratória, tão peremptório nas afirmações e tão convincente nos discursos?

Repito, não gosto de Barack Obama. O "novo" que ele pretende representar nos EUA é o que há de pior na política brasileira. Notem que seu discurso em muito se iguala a outro agitador de massas, cujo gogó afiado servia para disfarçar sua incapacidade de administrar o país. Sim, Lula. Obama é o equivalente de Lula nos EUA. Ambos têm em comum um suposto sonho de país. Ambos têm uma carreira política meteórica. Ambos, antes de nela entrarem eram avessos ao trabalho. Ambos sempre preferiram se focar no discurso triunfalista do que em propostas e projetos de governo. Ambos sempre tiveram que se livrar de compadres antigos, cujas opiniões ou atos os embaraçam diante do público. Lula, abertamente, fomenta a guerra social entre os pobres e as elites exploradoras. Já Obama, que tenta de todos os modos fugir do estigma de "candidato de uma etnia", tem graves problemas em calar seus antigos gurus e professores, que são bastante claros em seus posicionamentos radicais da opressão que eles acreditam que os negros pobres sofrem por parte da elite branca americana.

A semelhança mais evidente entre Lula e Obama, é a capacidade que ambos têm de mudar o discurso de uma hora para outra, a fim de obterem benefícios. Nos EUA, Obama, antes de oficializada sua candidatura, falava para quem quisesse ouvir que iria trabalhar, em sua campanha presidencial, com dinheiro exclusivamente vindo de verbas públicas. Uma vez candidato oficial, mandou o discurso às favas e esta aceitando doações de qualquer fonte. Wall Street promete irrigar sua campanha com milhões de dólares. No Brasil, Lula financia os baderneiros do MST e recebe nos salões do planalto os grandes produtores rurais. Recebe, em troca, apoio de ambos.

Obama e Lula têm também orgulho de suas vidas. Em torno delas eles criaram o mito que da sustentação a vida política de ambos. Obama é o jovem negro que superou as adversidades e se tornou um dos protagonistas da política americana. Lula é o pobre nordestino. O retirante que passou fome lutou, e tornou-se presidente. Obama dá tanto valor a sua vida que resolveu escrever sua autobiografia. Por limitações evidentes, Lula jamais chegou a tanto. Mesmo assim ele não cansa de contar episódios de sua juventude sofrida, geralmente aos prantos, em palanques armados para claques preparadas. A mídia não cansa de aplaudi-los. Os atores não cansam de reverenciá-los.

Tendo a não gostar de unanimidades. Sim, eu já disse isso no início do texto. Sim, eu já disse isso em outros artigos. Torno a repetir. Também torno a repetir que não gosto de Barack Obama. É difícil aceita-lo como alternativa viável ao que se tem hoje nos EUA visto que ele não apresenta nada de concreto em seus discursos. Tendo a desconfiar de salvadores do mundo ou de gente muito patriótica. Tendo a desconfiar mais ainda de gente que "amando" tanto o seu passado, nega-se a admiti-lo por completo. Obama tem dificuldade em aceitar seu passado muçulmano. Ele se incomoda claramente quando é perguntado sobre o assunto. Recentemente o irmão de Barack Obama, Malik Obama, em entrevista a agência de notícias Reuters, afirmou que Obama, na juventude, quando morava na Indonésia, foi registrado em uma escola como muçulmano e teve aulas em Madrassais. A dificuldade de Obama em admitir esse passado é tamanha, que a poucos dias, em um de seus comícios, duas mulheres com vestimentas islâmicas foram proibidas pela organização do evento de sentarem atrás de Obama, e diante das câmeras de TV. O evento repercutiu tão mal que Obama teve que pessoalmente pedir desculpas para as duas mulheres.

Os mitos que se criaram ao redor de Lula e Obama são tão grandes que mentes prodigiosas saem a bolar teorias conspiratórias. Lá, interesses poderosos dariam cabo de um jovem político que mudaria a América. Aqui a elite, a todo custo, tentaria jogar na lama e derrubar o presidente nordestino. É claro que nenhum dos casos é verdade. Lula só é bombardeado por chefiar o governo mais corrupto de todos os tempos. Lá, ao contrário do que alguns dizem o serviço secreto que faz a guarda de Obama não tem nada de especial. Essa proteção é utilizada por qualquer candidato ou pré-candidato a presidente dos EUA. É um procedimento padrão desde o atentado contra Bob Kennedy.

Ao contrário de mim, o povo brasileiro, se pudesse, elegeria Obama. Meu candidato é John McCain, que nas pesquisas de preferência aqui no país tem 35% de apoio. Obama tem 55%. Os brasileiros elegeram Lula em 2002 e 2006. Em 2008, se pudessem, elegeriam Barack Obama. Nossa situação é crítica. Nosso povo gosta tanto de Lula que votam em qualquer coisa que lembre ele, mesmo que seja uma versão gringa.

Artigo publicado no jornal Informante em 27 de junho de 2008

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