Friday, March 21, 2008

A Quem o Brasil se Agacha

Na semana passada Condoleezza Rice esteve no Brasil. Visitou o Pelourinho, em companhia do ministro Gilberto Gil. O roteiro de Condoleezza pelo Brasil mostra como o Departamento de Estado dos EUA tem se pautado pela inocência e até covardia no trato com seus interlocutores latino-americanos, especialmente o Brasil. Eles têm em Lula um aliado confiável, um interlocutor. Evidentemente que o Departamento de Estado esta enganado.

Em 1990, juntamente com Fidel Castro e lideranças de mais de 100 partidos e organizações de esquerda, entre elas o MIR chileno e as FARC, Lula criou uma poderosa central estratégica, denominada como Foro de São Paulo. Uma grande assembléia que decidiria os rumos da esquerda latina. Quase duas décadas depois, muitas de suas ambições foram alcançadas. Brasil, Bolívia, Cuba, Venezuela, Argentina, Equador e Nicarágua são governados por gente envolvida com o Foro de São Paulo.

A crise recente entre Colômbia, Venezuela e Equador mostrou as entranhas da esquerda latina, que unida, acoberta o terrorismo das FARC, o braço armado do Foro de São Paulo. O governo Brasileiro tratou de ignorar solenemente os laços do governo de Rafael Correa com a narco-guerrilha comunista, e junto aos demais governos Latinos se limitou a criticar a invasão da Colômbia no território Equatoriano. Em recente entrevista ao jornal Le Figaro, da França, o assessor de assuntos internacionais de Lula, e integrante do Foro de São Paulo, Marco Aurélio Garcia, informou que o Brasil não considera as Farc como organização terrorista, e que tem posição neutra sobre ela. Trata-se evidentemente de acobertamento. O Ministério das Relações Exteriores, na pessoa do ministro Celso Amorim, jamais refutou as afirmações de Marco Aurélio Garcia. Ao contrário. Tratou de reafirmá-las de uma forma menos evidente.

O comportamento do Brasil nas questões internacionais, desde o início do governo Lula, tem sido caracterizado pela complacência com ditaduras e grupos armados. O silêncio vergonhoso do Itamaraty sobre o genocídio em Darfur, no Sudão, é um bom exemplo disso. Em contrapartida a benefícios de exploração de petróleo que o governo sudanês daria a Petrobrás, a representação diplomática brasileira da ONU manter-se-ia em silêncio sobre os genocídios cometidos contra grupos religiosos cristãos naquele país. Desde 2003, mais de 200 mil pessoas já morreram.

Um desejo antigo da política externa brasileira é integrar, em caráter permanente, o Conselho de Segurança da ONU. Na opinião de diplomatas brasileiros, seria uma oportunidade única para o Brasil desempenhar seu suposto papel de liderança continental. Em minha opinião seria uma oportunidade única para o Brasil desempenhar sua função de acobertamento indiscriminado de ditaduras, genocídios e grupos terroristas. Seria entregue ao país um foro internacional importantíssimo para que? Para que possamos justificar a ditadura de Hugo Chávez? As ações humanitárias das Farc?

O governo americano jamais quis olhar a realidade da política externa brasileira. É comum que dirigentes americanos ignorem os protestos esquerdistas contra os EUA. Eles tratam exclusivamente com as lideranças “moderadas” que estão no governo. É um erro. A realidade política do Brasil é comandada pela militância radical, do qual a suposta “moderação” é apenas uma estratégia de distração.

Artigo publicado no jornal Informante

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