Saturday, April 18, 2009

O Cachorro Ideal

Não há nada mais jeca do que adular um político. Depois de brasileiros, bolivianos e venezuelanos se iludirem com seus líderes populistas agora são os americanos que entraram para o clubinho com a eleição de Barack Obama. Obama, como foi dito em uma propaganda de Joh McCain é o “messias” cujos dons divinos irão restaurar a ordem nos EUA. O salvador Obama é o sintoma mais agudo da degradação ianque. Obama foi eleito mais pelo ódio que Bush despertava do que por suas qualidades pessoais. É, portanto, mais um fardo que ex-presidente texano deixará para a humanidade.

Tempos atrás me peguei contando quantos textos levavam em seu título o nome Obama nas páginas de Zero Hora dominical. Foram seis. Obama se tornou artigo de colecionador. Virou boneco de brinquedo, imã de geladeira e máscara de carnaval. Celebridades cafonas já lhe dedicaram músicas. Em breve alguma escola de samba também o fará tema de seu desfile. Obama diminuiu os EUA, criando uma legião de seguidores psicóticos e seqüestrando a intelectualidade com seu sorriso largo e sua ginga de político marajá. A falta de conteúdo de Obama levou todos a buscarem informações somente sobre sua vida de estrela pop de segunda.

A compra do cachorro de Obama se tornou a noticia mais importante envolvendo o presidente americano desde sua posse. Ninguém esta interessado nas gatunagens envolvendo os secretários que ele nomeou para governo. Ninguém esta interessado nas gatunagens envolvendo seus doadores de campanha. Ninguém esta interessado nas gatunagens que permitiram o registro de sua candidatura.

De acordo com uma pesquisa do American Kennel Club o cachorro ideal para a família Obama teria de ser de “uma raça sociável com as” crianças, se comportar como um bom companheiro de viagem a bordo do avião presidencial Air Force One, ter um nível de energia moderado e um temperamento estável para "se adaptar a uma ampla variedade de visitantes, desde chefes de Estado a membros da imprensa". A enquete do American Kennel Club contou com a participação de 42 mil pessoas e o cachorro escolhido como "ideal" para a família Obama seria um poodle. Ao contrário dos 42 mil, eu escolho o jornalismo americano como cão ideal.

A mídia americana é o cachorro de Obama. Vive o lambendo. Vive sacudido o rabo. Assim como o cachorro ideal a mídia revelou-se uma raça sociável, sempre acompanhando Obama em suas viagens e com nível de energia beirando a letargia. É inofensiva e totalmente previsível. Os veículos jornalísticos dos EUA fizeram à cobertura mais porca de uma eleição americana em todos os tempos. A mídia americana se abrasileirou, revelando um lado adesista que nunca tinha sido manifestado de maneira tão escancarada. Os crimes envolvendo Obama foram devidamente sonegados ao público. Suas ligações com fundamentalistas racistas foram sutilmente deixadas em segundo plano. Sua origem muçulmana foi tratada como conspiração ultra-direitista. A média de noticias favoráveis a Obama nos jornais de grande circulação dos EUA chegou, durante a campanha eleitoral, a 75%. Alguém coloque uma coleira no New York Times. Alguém coloque uma focinheira na MSNBC News. Alguém dê um osso a CNN.

Obama recém começou seu governo. Suas primeiras medidas já fracassaram. O plano econômico empacou no congresso e o mercado não deu a menor pelota, continuando seu vôo rumo ao fundo do poço. A atuação do novo governo no conflito entre Hamas e Israel não passou de alguns telefonemas. Em um mês a popularidade do presidente americano caiu 9%. Daqui a longínquos quatro anos quem sabe a sociedade americana já tenha se livrado de Obama e seus seguidores. Quando isso ocorrer só restará limpar o tapete da sala, sujo pelo cachorro.

Por Guilherme Macalossi

Artigo publicado no Jornal Informante em 10 de Abril de 2009

Thursday, March 26, 2009

Revolução Macaca

Um homem vestido de macaco. Um homem vestido de raposa. Outro homem vestido de macaco. Outro homem vestido de raposa. Esse foi o modo que o grupo “Ói Nóis Aqui Traveis” retratou a ditadura militar com a apresentação da peça “O Amargo Santo da Purificação”, em sua recente passagem pela Serra. Além de encontrar tempo para falar mal da ditadura o grupo também glorificou Carlos Marighella. Carlos Marighella, para quem não sabe era o líder do grupo “Aliança Libertadora Nacional”. Uma espécie de Al Qaeda tupiniquim.

Carlos Marighella é um desses ditos “heróis” da resistência. Igual aos infames guerrilheiros do Araguaia. Igual a Dilma Rousseff. Igual a José Dirceu. Igual a Ziraldo. A propaganda esquerdista transformou essa gente toda em grandes democratas oprimidos. Marighella não passava de um Bin Laden que comia acarajé. Uma de suas maiores obras foi o "Manual do Guerrilheiro Urbano", livro guia das Brigadas Vermelhas italianas e do Baader-Meinhoff alemão. O PCC e as quadrilhas de traficantes do Rio de Janeiro usam a obra da Marighella como referência para suas ações criminosas. Pudera, o livro é de um humanismo tocante, como na passagem em que Marighella fala que "É necessário que todo guerrilheiro urbano mantenha em mente que só poderá sobreviver se estiver disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados à repressão. E se está verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas, os latifundiários e os imperialistas"


Marighella era um assassino. Um terrorista. Não era diferente de Fernandinho Beira Mar. Sua verdadeira luta não era para restabelecer a democracia. Era para substituir a ditadura de direita pela ditadura de esquerda. No pior dos casos para conseguir um bom pé de meia. A viúva de Marighella, Clara Charf, no inicio do ano passado recebeu da Comissão de Anistia uma pensão vitalícia de dois mil e quinhentos reais mensais, mais 150 mil referentes aos pagamentos que seriam relacionados aos últimos cinco anos. Como disse certa vez Millör Fernandes, não estavam fazendo revolução, mas investimento.

O esquerdismo sempre impregnou o meio cultural. Não é de hoje. Não é só aqui. As celebridades sempre encamparam o discurso politicamente correto. Uns andando com camisas de Che Guevara. Outros fazendo campanhas ambientalistas. Os mais afetados se declarando obamistas. Todo o ziriguidum do teatro itinerante “Ói Nóis Aqui Traveis” não passa de um sintoma de como a cultura nacional se tornou um braço de propaganda do esquerdismo mais rasteiro. Marighella venceu. Vestiu todos nós de macacos.

Por Guilherme Macalossi

Publicado no Jornal Informante em 27 de Março de 2007

Thursday, March 05, 2009

Analisando a União das Repúblicas Socialistas Latinas

Especial para o jornal Informante

10 anos depois de lançarem o clássico “O Manual do Perfeito Idiota Latino Americano”, Plínio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa lançam uma continuação, “A Volta do Idiota”, livro que analisa a recaída esquerdista em que o continente Latino se meteu.

Escrito por Eduardo Galeano, “As Veias Abertas da América Latina” tornou-se o criador de dogmas para a esquerda populista da América Latina. Dentre outras coisas o livro acusava a manipulação, intervenção e imperialismo praticado pelos EUA e a Europa sobre os países do continente e ao longo de 500 anos. Trata-se de um livro fundamental para a esquerdopatia e o populismo.

A resposta a esta bíblia do atraso foi o livro “O Manual do Perfeito Idiota Latino Americano”, escrito pelas mãos habilidosas de Plínio Papuleyo Mendoza, escritor e embaixador colombiano, Carlos Alberto Montaner, escritor e jornalista refugiado cubano e Álvaro Vargas Llosa, escritor e economista peruano. Uma trinca de escritores dispostos a desfazer todas as verdades absolutas vendidas pelas esquerdas. O livro acusava o domínio populista nos países latinos, influenciado pela revolução comunista genocida de Fidel Castro em Cuba. A idiotia que tomava a América Latina era conduzida pelas velhas políticas estatistas, nacionalistas e internacionalistas que isolavam nosso continente do progresso econômico e social. Passados 10 anos os três autores voltaram a se reunir para escrever a continuação da saga do idiota latino, “A Volta do Idiota”, livro que faz uma avaliação quase que irrepreensível sobre a onda vermelha que voltou a tomar o continente.

Contando com o prefácio do famoso escritor Mário Vargas Llosa, o livro toma como base uma incomparável analise psicológica dos idiotas latinos e observando a união das esquerdas na construção do obscuro Foro de São Paulo, “A Volta do Idiota” traça qual foi o rumo tomado pelos esquerdistas em sua volta ao controle e quais foram as falhas cometidas por nossos liberais e conservadores. O livro também dedica capítulos específicos para cada um dos grandes lideres da revolução esquerdista latina. Hugo Chavez, Evo Morales, Néstor Kirchner e Daniel Ortega são vasculhados desde suas origens até a condução de seus governos atualmente. O livro também não se furta em observar o sorriso envergonhando da idiotia esquerdista européia frente ao crescimento dos populistas na América Latina, fenômeno que somente agora começa a revelar seus malefícios ao Velho Mundo. Outro destaque é o capítulo “Cinco Idiotas Sem Fronteiras” onde se analisam a escrita de escritores e intelectuais comunistas que influenciam atualmente o pensamento de esquerda.

O ponto alto do livro, no entanto, é o estabelecimento dos conceitos de “Esquerda Carnívora” e “Esquerda Herbívora”. Os autores dividem as lideranças de esquerda no continente entre aqueles que seguem os valores absolutos do atraso e aqueles que na opinião dos autores estão mais ligados a alguns conceitos modernos de pensamento político. Entre os carnívoros estariam Chávez, Ortega, Morales e Kirchner. Entre os herbívoros estariam Lula, Alan Garcia e Michelle Bachelet. O ponto falho desta analise é a situação particular de cada país. Lula por exemplo é herbívoro por que o ambiente onde desenvolve sua influência não lhe permite comer carne. Ao contrário da Venezuela onde Chávez se beneficiou da desunião da oposição e da monocultura petrolífera para se firmar como o grande caudilho do continente, o Brasil, pelas dimensões continentais, liberdade de imprensa, judiciário livre, número de lideranças, forte classe média e diversidade econômica está impedido Lula e os petistas de fazerem as mesmas barbeiragens ideológicas que seu aliado do Foro de São Paulo. Isso não os impedem, no entanto, de tentar destruir as instituições democráticas do país, como a compra de deputados, as tentativas de calar a imprensa e o acobertamento, através de sua desastrosa política exterior, dos devaneios populistas praticados por seus aliados caudilhos nos países vizinhos.

“A Volta do Idiota” é um livro necessário para estes tempos onde a esquerda continental conseguiu o monopólio do discurso através de uma vasta propaganda difamatória da direita, dos valores cristãos e da economia de mercado através dos últimos 50 anos. Fica evidente que apesar de idiotas pelos conceitos defendidos os esquerdistas são muito mais inteligentes que nossos conservadores e liberais. Fica a esperança de que uma hora dessas surja um “Manual do Liberal Idiota” para analisar friamente como a direita abdicou do direito de ter opinião e existir pela incompetência, inépcia e adesismo de seus líderes.

FICHA TÉCNICA

Autores – Plínio Apuleyo Mendonza, Carlos Alberto Montaner, Álvaro Vargas Llosa
Gênero – Não-Ficção
Ciência Política
Encadernação – Brochura
Editora – Odisséia
Páginas – 240

Por Guilherme Macalossi
Ensaio publicado no jornal Informante em 26 de fevereiro de 2009

Companheiros Terroristas – Parte 2

De vez em o governo acolhe um terrorista. Foi que o aconteceu com Cesare Battisti, comunista italiano responsável por uma série de assassinatos no seu país de origem. Battisti foi afagado pelos braços do ministro da justiça, Tarso Genro. Sim, são os mesmos braços responsáveis por empurrar de volta para Cuba aqueles dois boxeadores que queriam fugir aqui para o Brasil.


A acolhida de criminosos internacionais e a expulsão sumária de civis desesperados não é novidade no nosso país. Outro famoso terrorista comunista que foi adotado pelo governo foi o “padre” Olivério Medina, integrante das FARC. Diogo Mainardi chegou a denunciar, em sua coluna na revista Veja que a esposa do “padre” havia conseguido uma boquinha em um dos cargos criados pelo governo Lula. Uma espécie de bolsa terrorismo.


Além de Cesare Battisti outro notório terrorista italiano que também fincou residência por aqui, foi Achille Lollo, militante do grupo comunista Potere Operaio. Para quem não sabe, Achille Lollo é reponsável pelo assassinato de dois dos quatro filhos de seu inimigo político, Mario Mattei. Uma das crianças tinha apenas 8 anos de idade. Ambos foram queimados vivos. Achiille Lollo teve sorte. Tornou-se fundador e posteriormente intelectual ligado ao PSOL. Alguns de seus artigos chegaram a ser publicados no site do partido. Heloisa Helena, tão dada a exigir ética dos outros, jamais deu um pio sobre a presença de um terrorista entre os pensadores do partido que ela comanda.


Depois da queda do muro de Berlim a revolução comunista não terminou como afirmam alguns liberais desinformados. Como um vírus o comunismo sofreu mutações. As antigas revoluções pelas armas deram lugar à manipulação da democracia e do capitalismo para fomentar o sonho vermelho. O grande pensador do novo socialismo foi o também italiano Antônio Gramsci, É com base em seus ensinamentos que a democracia da Venezuela, por exemplo, esta sendo solapada. A estratégia é destruí-la através de seus próprios mecanismos de existência. Uso de plebiscitos. Orçamentos Participativos. Agrados a grandes oligarquias. Constrói-se uma ditadura através da democracia.


O objetivo de destruir os valores da sociedade ocidental nunca terminou. Tomou outra forma. Mundialmente a esquerda se alinha aos anseios dos terroristas. No Iraque. No Afeganistão. Em Israel. Observem o método e verão que a esquerda sempre buscará resguardar o posicionamento dos terroristas. No íntimo a esquerda torce pela vitória dos radicais do Hamas sobre Israel. No íntimo a esquerda vibrou com os atentados terroristas do 11 de setembro. O maior financiador de todos os inimigos do ocidente sempre foi à Rússia, mesmo depois do colapso do regime soviético. China também. Enquanto a primeira protege o regime aiatolá no Irã, a outra da cobertura a Coréia do Norte comunista. Os petro-dólares russos são os principais financiadores de toda sorte de bandidos que existem desde a própria Rússia até integrantes do governo Sírio, passando por Teerã e chegando as cavernas do Iraque. Há no fim das contas um grande objetivo de esquerdistas e terroristas, acabar com a democracia Ocidental representada, sobretudo pelos EUA e Israel.


A última etapa desta cruzada contra o Ocidente chegou agora em um ponto crucial, a posse de Barack Obama como presidente americano. Tema para a terceira e última parte desta série.


Para saber mais sobre Achille Lollo entrem nas seguintes páginas da internet, ambas em Italiano:


http://redazione.romaone.it/4Daction/Web_RubricaNuova?ID=63379&doc=si

http://www.lisistrata.com/2005politicainterna/002vergognalatitanti.htm


Por Guilherme Macalossi

Artigo publicado no jornal Informante em 29 de janeiro de 2009

Friday, January 23, 2009

Companheiros Terroristas - Parte 1

Quando acusei Lula de fazer propaganda da ignorância, no meu último artigo “A Política no Gueto”, alguns amigos e leitores me perguntaram se eu não havia ido longe demais em minhas críticas. Um analista de comércio exterior, escrevendo nesse espaço chegou até mesmo a me acusar de preconceito com os não estudados. Os leitores e amigos estão errados. O analista de comércio exterior está errado em dobro. Nunca se vai longe demais em se tratando de Lula, do seu governo e de seu partido. Na semana seguinte ele se saiu com o famoso discurso onde falava da “diarréia do mercado” e do “sífu”. Seria um ótimo tema para mais um artigo tratando de como ele vulgarizou nossa política rebaixando-a ao nível de sua moral.

Quando Lula chegou à presidência o maior perigo que via em sua pessoa era o risco de ele nos guiar, com as políticas econômicas desastrosas propostas pelo petismo, para o fundo do poço. A nomeação, no entanto, de Henrique Meirelles, para presidência do BC me fez inclusive ser simpático ao presidente no primeiro ano de mandato. É claro que eu estava enganado. Lula é pragmático e jamais brincaria com a economia. Foi em outros setores que o governo petista nos levou ao fundo do poço. O maior desastre esta na política externa revanchista e terceiro-mundista, contaminada pelos sentimentos mais regressivos que assolam a esquerda.
A política externa Brasileira deixou de ser aquela que tinha como referência o Barão do Rio Branco e passou a ser aquela que tem como referência Marco Aurélio Garcia, o bufo flagrado fazendo gestos de “top top” quando reveladas as causas do acidente do avião da TAM. Nossa política externa se atrelou aos desmandos do Foro de São Paulo, uma entidade internacionalista voltada a promover o crescimento político e cultural do comunismo na América Latina. É por isso que Lula passa a mão na cabeça de déspotas como Hugo Chávez, silencia diante dos afrontamentos de Evo Morales e Rafael Corrêa e se coaduna criminosamente com os milicianos narco-terroristas das FARC condenando o governo constitucional da Colômbia por se defender. É por isso que o governo Lula, para faturar em cima dos dólares da exploração de Petróleo no Sudão, silencia sobre o massacre de cristãos praticado no país, atualmente o maior genocídio em atividade no planeta com cerca de 300 mil mortos.

Há alguns dias o PT, em nota oficial, acusou Israel de praticar “terrorismo de estado”, por conta da ação militar na faixa de Gaza. Novamente o PT e o governo Lula não disseram uma vírgula sobre a ação dos terroristas do Hamas. Como no caso da Colômbia o Brasil condenou o país que se protege e acobertou os grupos terroristas, legitimando-os como partes do processo de entendimento.

No caso de Israel o fenômeno não envolve somente o governo brasileiro. Mundo afora se vê o Hamas como parte oficial do conflito e objetivam chegar à paz colocando as partes para conversar. Israel quer um estado Palestino e reconhece o direito que os palestinos têm de viverem nesse estado. Mas antes disso querem a segurança de seu povo. O Hamas, por outro lado, não reconhece Israel e tem como objetivo principal varrer o país do mapa, mesmo que usando a população palestina como gado no batedouro. Que tipo de negociação é essa se uma das partes prega o extermínio da outra?

Lula crê ser um protagonista do cenário internacional. Enviou para a região do conflito o atrapalhado ministro Celso Amorim com a missão de se encontrar com as partes envolvidas. O que será que ele falou com os palestinos? O que será que ele falou com os israelenses? Falou da nota do partido de seu superior acusando Israel de praticar terrorismo?

Novamente Celso Amorim não conseguiu nada, nem mesmo disfarçar a inocuidade presente em uma política externa não a serviço de um país, mas de uma ideologia.

Por Guilherme Macalossi
Publicado no jornal Informante em 23 de janeiro de 2009

Saturday, November 29, 2008

A política no Gueto

Alguém lembra de Netinho de Paula? Você lembrará dele. É aquele que era vocalista de um grupo de pagode. É aquele que ao se irritar com uma pergunta do repórter Vesgo, do programa Pânico na TV, o agrediu com um soco. Netinho de Paula fez 84 mil votos nas últimas eleições. Foi o terceiro vereador mais votado de São Paulo. A vitória de Netinho de Paula é um bom resumo destas últimas eleições.

Comemorando sua vitória, o cantor justificou sua eleição declarando “Fiz uma campanha focada no gueto, na periferia. Quero poder tratar de moradia, de saneamento básico. Quero também construir pequenos núcleos de educação e esporte para desviar os jovens do caminho das drogas”.

O cantor Netinho é um dos milhões de brasileiros que não sabem as reais funções de um vereador. É por isso que ele promete construir núcleos de educação para sei lá o que. Outros milhares iguais ou piores que ele foram eleitos Brasil afora. A obrigatoriedade do voto faz com despreparados concorram e se elejam com a maior facilidade. Isso ocorre por que a larga maioria da população, obrigada a votar, não tem nem interesse nem discernimento para fazê-lo. Pela falta de interesse, acaba votando em qualquer um. Ou naquele cuja vitória é certa ou naquele que lhe prometer alguma coisa em particular. Pela falta de discernimento, acaba sendo enganada por propostas eleitoreiras, populistas ou até, em certos casos, melodramática. O voto no Brasil é carregado com todos os vícios que condenaram nosso país ao atraso. O sentimentalismo piegas, o oportunismo e o jeitinho. Esta tudo lá, na forma de votos.

O nível de conhecimento de nosso eleitorado é tão limitado que mesmo o candidato que quer fazer política séria precisa apelar para certos trejeitos de candidatos populistas. Do contrário, a população não saberá do que ele esta falando. Às vezes é necessário até mesmo educar o eleitor antes de partir para o convencimento. A larga maioria dos que votam não sabem quais funções essas pessoas irão desempenhar. A população acredita que Netinho de Paula, por exemplo, eleito vereador, poderá mesmo criar os tais núcleos educacionais. Netinho de Paula não fará núcleo algum por que não tem poder para tanto. Não é da função do vereador fazê-lo. Netinho de Paula não sabe disso também. Milhares de vereadores eleitos também não. Essas pessoas, quando não de má fé proposital, entram nestes cargos ludibriados pela própria ignorância na vã esperança de realizar aquilo que não tinham conhecimento e que não podem fazer. A decepção pela constatação da crua realidade obrigará o vereador, agora sem propósito, a executar o feijão com arroz típico das Câmaras de Vereadores: homenagens, definição dos nomes de ruas e aprovação de projetos do executivo. A iniciativa dos vereadores de criar leis, de fiscalizar o executivo para o bom uso dos recursos públicos e de representar a sociedade acaba ficando em último plano, por que no fim das contas, esses que foram eleitos estão despreparados para desempenhar essas funções.

Tem Lula nessa história? Claro que tem Lula. O Brasil de hoje é assolado por uma ditadura da ignorância, onde seu maior promotor é o presidente da república. Nunca antes houve tamanha criminalização do estudo e do conhecimento. Há uma cruzada contra a academia. É a ditadura do despreparo, incentivada por alguém que ao invés de estimular esses predicados, tão caros no primeiro mundo, estimula um confronto entre analfabetos e estudados. Entre os sem toga e os com toga. Tudo isso se reflete na nossa política. Muitos despreparados vêem no cargo político a possibilidade de conseguir subir de vida. Para isso se usam de suas únicas armas possíveis: o emocional, a popularidade ou até mesmo excentricidade. São recompensados com o voto da população. Sim, a mediocridade de nossos políticos é anterior à chegada de Lula ao poder, mas é evidente que foi com ele na presidência que nossos despreparados encontraram um publicitário de primeira e uma voz que os representa-se.

Eu sei que é aborrecido fazer analise das eleições que já ocorreram. Sei que é aborrecido citar o baixo nível de nossos políticos. Sei que é mais aborrecido ainda lembrar que o Brasil continua sem perspectiva nenhuma de melhora. Netinho de Paula, ao contrário de nós todos, tem altas expectativas. Ele quer “desempenhar um bom papel agora, implementar ótimas políticas públicas e depois caminhar para o Senado”. Netinho chegará lá. Nosso atraso fará sua carreira. Alguém ainda lembra de Netinho de Paula? Você lembrará dele.

Artigo publicado no jornal Informante em 20 de novembro de 2008

Don Quixote no Palanque

Essa semana Lula recebeu o prêmio Don Quixote das mãos do Rei da Espanha, Juan Carlos. Ninguém melhor que Lula para ser o titular de tal honraria. Lula passou os últimos cinco anos nos amolando com seus inimigos imaginários. Primeiro a mídia golpista e a elite branca que não suportavam a chegada de um retirante na presidência. Agora são os países ricos, em especial os EUA, que com suas crises estariam tentando frear a marcha lulista que nos levaria a aurora do primeiro mundo.

Tempos atrás, refletindo sobre a crise econômica nos EUA, Lula afirmou que: “A gente não fica dependente do dono do engenho, pois fizemos parceria com várias bodegas por aí afora.” Nas últimas semanas a Bolsa de Valores teve que interromper o pregão por causa dos largos tombos que sofreu e o Banco Central teve que intervir na economia. Lula acredita que nossos negócios com bodegas, como o Sudão, nos salvarão da quebradeira generalizada que toma conta do mundo.

Uma das maiores inconformidades da oposição é que Lula nunca passou por um teste de fogo em relação à situação econômica no exterior. Os líderes oposicionistas afirmavam que toda onda de crescimento econômico de Lula se dava por conta do “céu de brigadeiro” em que se encontrava o mercado internacional. Agora que tem a oportunidade complicar a situação do presidente, a oposição o ajuda. Recentemente tomaram a iniciativa de conceder ao Banco Central poderes especiais para intervir mais facilmente nos mercados. A oposição, evidentemente, coloca as questões econômicas e a vida e estabilidade nacional acima dos confrontos políticos com o governo. Lula nunca pensou assim. Pelos longos anos em que esteve na oposição, Lula sempre tomou a iniciativa, junto ao PT, de bombardear o governo com críticas ferozes em relação à política econômica. Lula e o PT sempre colocaram o país em segundo plano, dando destaque e prioridade ao achincalhamento político de seus adversários. Quem não se lembra do famoso “FORA FHC E FMI!”? Tarso Genro, que recentemente este fazendo campanha em Farroupilha, foi um dos expoentes da tese golpista do impeachment de Fernando Henrique, quando este em 1998, recém reeleito, teve que enfrentar a desvalorização do Real frente ao Dólar. Revoltado com a crise, Tarso escreveu um artigo pedindo a cabeça do presidente 19 dias depois daquele ter sido reeleito. Se naquela época Tarso Genro queria o fim do governo, hoje os oposicionistas querem ajudar o governo.

A fúria opositora de outros tempos passou a ser a fúria governista. Hoje temos uma oposição lânguida e muitas vezes acusada de adesista. Lula e os petistas não gostam nem mesmo desta oposição light, que ajuda o governo a manter as rédeas sobre a economia. É comum vê-lo, em seus inúmeros discursos de palanque, acusando-a de invejosa e golpista. FHC, um dos poucos que ainda levantam a voz para questionar o governo, recentemente, cobrou energia nas atitudes de Lula em relação à crise. Foi malhado pela mídia e pelos analistas, por que em meio a sua cobrança, citou o FMI. Como se vê, Lula corre grave risco com uma oposição tão violenta e uma mídia tão mal intencionada com ele.

A crise virá. Lula sabe disso. Lula sabe que ela poderá aniquilar sua popularidade se atingir o bolso do cidadão. É provável que seus efeitos sejam sentidos. Quando a economia vai bem nem as mais graves denúncias de corrupção ferem a imagem de um presidente. Quando a economia vai mal não há discurso populista que segure popularidade alguma. Lula, neste momento, usa o palanque de uma suposta vitalidade brasileira em relação à crise. Lula sabe que esse palanque só aparenta ter vitalidade. Seus parafusos e pregos por mais que bem pregados podem ser destruídos facilmente com uma tormenta severa. A qualquer momento, nosso Don Quixote de Garanhuns pode desabar junto com o palanque mambembe. Nesse caso é bom não ficarmos rindo, é muito provável que ele caia em cima de nós.

Artigo publicado no jornal Informante em 23 de outubro de 2008

O Lula que Fala Inglês

Não gosto de Barack Obama. Pronto. Pode rasgar esta parte do jornal. Pode queimá-la. Imagino que meus poucos e indignados leitores estejam agora se perguntando quais serão os meus motivos para não gostar desta outra unanimidade mundial. Como não gostar de alguém que fale de esperança, de mudança, de sonhos e de acreditar? Como não gostar de alguém que seja tão simpático na oratória, tão peremptório nas afirmações e tão convincente nos discursos?

Repito, não gosto de Barack Obama. O "novo" que ele pretende representar nos EUA é o que há de pior na política brasileira. Notem que seu discurso em muito se iguala a outro agitador de massas, cujo gogó afiado servia para disfarçar sua incapacidade de administrar o país. Sim, Lula. Obama é o equivalente de Lula nos EUA. Ambos têm em comum um suposto sonho de país. Ambos têm uma carreira política meteórica. Ambos, antes de nela entrarem eram avessos ao trabalho. Ambos sempre preferiram se focar no discurso triunfalista do que em propostas e projetos de governo. Ambos sempre tiveram que se livrar de compadres antigos, cujas opiniões ou atos os embaraçam diante do público. Lula, abertamente, fomenta a guerra social entre os pobres e as elites exploradoras. Já Obama, que tenta de todos os modos fugir do estigma de "candidato de uma etnia", tem graves problemas em calar seus antigos gurus e professores, que são bastante claros em seus posicionamentos radicais da opressão que eles acreditam que os negros pobres sofrem por parte da elite branca americana.

A semelhança mais evidente entre Lula e Obama, é a capacidade que ambos têm de mudar o discurso de uma hora para outra, a fim de obterem benefícios. Nos EUA, Obama, antes de oficializada sua candidatura, falava para quem quisesse ouvir que iria trabalhar, em sua campanha presidencial, com dinheiro exclusivamente vindo de verbas públicas. Uma vez candidato oficial, mandou o discurso às favas e esta aceitando doações de qualquer fonte. Wall Street promete irrigar sua campanha com milhões de dólares. No Brasil, Lula financia os baderneiros do MST e recebe nos salões do planalto os grandes produtores rurais. Recebe, em troca, apoio de ambos.

Obama e Lula têm também orgulho de suas vidas. Em torno delas eles criaram o mito que da sustentação a vida política de ambos. Obama é o jovem negro que superou as adversidades e se tornou um dos protagonistas da política americana. Lula é o pobre nordestino. O retirante que passou fome lutou, e tornou-se presidente. Obama dá tanto valor a sua vida que resolveu escrever sua autobiografia. Por limitações evidentes, Lula jamais chegou a tanto. Mesmo assim ele não cansa de contar episódios de sua juventude sofrida, geralmente aos prantos, em palanques armados para claques preparadas. A mídia não cansa de aplaudi-los. Os atores não cansam de reverenciá-los.

Tendo a não gostar de unanimidades. Sim, eu já disse isso no início do texto. Sim, eu já disse isso em outros artigos. Torno a repetir. Também torno a repetir que não gosto de Barack Obama. É difícil aceita-lo como alternativa viável ao que se tem hoje nos EUA visto que ele não apresenta nada de concreto em seus discursos. Tendo a desconfiar de salvadores do mundo ou de gente muito patriótica. Tendo a desconfiar mais ainda de gente que "amando" tanto o seu passado, nega-se a admiti-lo por completo. Obama tem dificuldade em aceitar seu passado muçulmano. Ele se incomoda claramente quando é perguntado sobre o assunto. Recentemente o irmão de Barack Obama, Malik Obama, em entrevista a agência de notícias Reuters, afirmou que Obama, na juventude, quando morava na Indonésia, foi registrado em uma escola como muçulmano e teve aulas em Madrassais. A dificuldade de Obama em admitir esse passado é tamanha, que a poucos dias, em um de seus comícios, duas mulheres com vestimentas islâmicas foram proibidas pela organização do evento de sentarem atrás de Obama, e diante das câmeras de TV. O evento repercutiu tão mal que Obama teve que pessoalmente pedir desculpas para as duas mulheres.

Os mitos que se criaram ao redor de Lula e Obama são tão grandes que mentes prodigiosas saem a bolar teorias conspiratórias. Lá, interesses poderosos dariam cabo de um jovem político que mudaria a América. Aqui a elite, a todo custo, tentaria jogar na lama e derrubar o presidente nordestino. É claro que nenhum dos casos é verdade. Lula só é bombardeado por chefiar o governo mais corrupto de todos os tempos. Lá, ao contrário do que alguns dizem o serviço secreto que faz a guarda de Obama não tem nada de especial. Essa proteção é utilizada por qualquer candidato ou pré-candidato a presidente dos EUA. É um procedimento padrão desde o atentado contra Bob Kennedy.

Ao contrário de mim, o povo brasileiro, se pudesse, elegeria Obama. Meu candidato é John McCain, que nas pesquisas de preferência aqui no país tem 35% de apoio. Obama tem 55%. Os brasileiros elegeram Lula em 2002 e 2006. Em 2008, se pudessem, elegeriam Barack Obama. Nossa situação é crítica. Nosso povo gosta tanto de Lula que votam em qualquer coisa que lembre ele, mesmo que seja uma versão gringa.

Artigo publicado no jornal Informante em 27 de junho de 2008

Aquecimento Global, Derretimento Cerebral – Parte II (final)

Na primeira parte desta série, coloquei a histeria do aquecimento global sob a ótica do contexto humano e das grandes "verdades universais". O Aquecimento Global, como disse anteriormente, esta para os tempos de hoje como estava o geocentrismo para Idade Média. Por causa disso, ouvi manifestações contrárias e favoráveis ao artigo. As contrárias me despertaram maior interesse. Elas eram praticamente todas iguais. Uma vez reveladas as mentiras convenientes criadas pelos propagadores da falácia do aquecimento global, restou, aos que ainda acreditam, reclamar que não ligo para a ecologia e meio ambiente. O uso de clichês é próprio a quem não tem argumentos. A frase que ouvi, mais de uma vez, era dita com certo ar inflamado: "Então podemos fazer tudo?". A reposta é simples. Não podemos.

Já afirmei que a Aquecimento Global não tem nada haver com poluição. A poluição é um problema que afeta sim a qualidade de vida dos seres humanos. Claro que as empresas, ou o ente público que poluem um rio, devem ser mais que punidos. Claro que as empresas que emitem gases poluentes precisam ser obrigadas a instalar em suas chaminés filtros para diminuição da emissão. Isso precisa ser feito, não por que enchentes inundarão cidades britânicas ou por que furacões arrasarão o sul dos EUA e sim por que é muito provável que as pessoas que vivem ao redor venham a ter problemas de saúde. Também não vamos jogar lixo dentro da lata do lixo por nos preocupar com a quantidade de tempo que aquilo levará para se decompor. Jogaremos no lixo, os que tem esse costume, por que gostamos de limpeza em nossas ruas.

Desastres naturais continuarão acontecendo, independente de diminuirmos ou aumentarmos a emissão de gases de efeito estufa. Essas medidas precisam ser tomadas por que no fim das contas elas afetam diretamente a vida de pessoas. Água poluída é doença. Ar poluído é doença. Cidade suja é doeça. Não precisamos exercitar falsos atos humanistas para praticar o bem. Não precisamos ser megalômanos a ponto de tentar salvar o mundo. O mundo estaria melhor se não tivessem tantas pessoas tentando salva-lo.

O IPCC, órgão político, e não cientifico da ONU, quer o contrário. Quer que todo mundo pratique um pouco de megalomania. Existe até mesmo aquele bordão grudento: "Cada um faz a sua parte", incentivando todos a poupar de todas as maneiras possíveis. A paranóia é tão grande que agora qualquer coisa é motivo para salvar o mundo. Um exemplo? Tempos atrás o portal do site Terra publicou em sua capa "dicas para prática ambientalmente correta do sexo". As últimas formas de poluição criadas pelo ser humano foram as notícias e dicas para salvar o planeta. Elas sujam as páginas dos jornais, os informes da rádio e as imagens da TV. Estão por todos os lados. São mais freqüentes que as chamadas das Casas Bahia. São mais disseminadas que as músicas do cantor Latino.

O engodo do IPCC ajudou a formular o Protocolo de Kyoto. Uma leviana obra de arte da mentira. O protocolo de Kyoto não serve para melhorar a saúde do mundo, serve para dinamitar a economia mundial e condenar os países em desenvolvimento a não se desenvolver. O protocolo, tão divulgado na mídia quer que a emissão de gases de efeito da estufa, produzidos pelo ser humano sejam reduzidos em 5%. Para a economia é um golpe brutal. Principalmente para os americanos, que são os maiores consumidores e produtores do mundo. Se 25% dos bens e serviços do mundo são consumidos pelos americanos, uma redução tão grande para a economia é o mesmo que jogar o planeta inteiro em uma crise econômica. Como se desenvolver sem crescimento econômico? Sem produtores e consumidores?

É sabido que as novas fontes de energia são caras demais para serem implantadas nos paises mais pobres. Não há dinheiro para serem mantidas. Além disso, o protocolo não surtiria efeito nem mesmo na temperatura global, visto que 5% da produção mundial de gases de efeito estufa, representam míseros 0.3% da quantidade total de gases de efeito estufa que são gerados naturalmente no planeta. Os fluxos naturais da produção de carbono são na ordem de 200 bilhões de toneladas por ano, incluindo ai o que sai dos mares, vulcões, animais e vegetação. Esses números são apenas estimativas o que nos leva a conclusão de se estivermos errados dentro de uma margem de erro de 10%, teremos errado a conta em 20 bilhões de toneladas anuais produzidas pela natureza, o que já é 3 vezes a produção humana. A contribuição humana é insignificante no contexto geral.

Não adianta desligar o freezer ou andar de bicicleta para não sujar o meio ambiente com seu carro consumidor de combustíveis fósseis. Você eu e nem todas as pessoas juntas no mundo conseguiremos evitar os furacões, ciclones e tempestades que ocorrem. O que podemos evitar é que a conta de luz venha mais cara no fim do mês, ou até mesmo diminuir o tamanho do congestionamento do transito da cidade. Acreditem amigos, nenhum de nós pode salvar o mundo. Podemos apenas salvar nossos bolsos.

Artigo publicado no jornal Informante em 05 de junho de 2008

Aquecimento Global, Derretimento Cerebral – Parte I

De uns anos para cá a ideologização do debate ecológico e de preservação ambiental tomou proporções ainda maiores. A nova esquerda viu que o debate ambiental pode render louros políticos para sua causa. O aquecimento global tornou-se a ponta de lança do discurso. Assim, o ser humano, a industrialização e principalmente o capitalismo tornaram-se os grandes culpados pelos desastres naturais que estão acontecendo pelo globo.

Criou-se uma espécie de unanimidade mundial em torno do discurso de que somos os culpados pela situação. Unanimidade aprofundada com o lançamento do filme "Uma Verdade Inconveniente" do político e ambientalista de horas vagas, Al Gore. Já diria Millôr Fernandes que "Toda unanimidade é burra". Não é um caso diferente. Uma das últimas grandes unanimidades mundiais foi o geocentrismo. Não havia muita ciência para se defender aquela teoria. Era uma mistura de fé e emoção.

Bastante disseminada entre a população, tornou-se verdade universal. Um dos primeiros a se posicionar contra o geocentrismo foi Nicolau Copérnico cujo livro "De revolutionibus orbium coelestium" (Das revolucões das esferas celestes) acabou condenado pela Inquisição e colado no "Index librorum prohibitorum" (Índice de Livros Proibidos). A parti dali Copérnico não pôde mais se referir ao heliocentrismo como realidade, apenas como hipótese. Depois de Copérnico veio Galileu Galilei, que aprofundou os debates sobre o heliocentrismo e foi condenado pela Santa Inquisição a negar todas suas descobertas, sob pena de ser queimado na foqueira.

De lá pra cá o mundo não mudou tanto. O IPCC da ONU tornou-se a nova Santa Inquisição. Todos aqueles que confrontam sua ciência de fé no Aquecimento Global Antropogênico são condenados a foqueira. Como hereges são ignorados e tratados como loucos. Se o IPCC da ONU é nova Santa Inquisição, Al Gore é o novo Roberto Bellarmino. Se os hereges antigos acreditavam que A Terra dava voltas em torno do Sol, o herege novo vê com desconfiança toda a histeria midiática criada em torno do Aquecimento Global.

Assim como a religião antiga a "ciência", cada vez menos científica, do século 21 prega que o fim do mundo esta próximo. Para tanto utilizam-se dos documentos maquiados produzidos pelo IPCC da ONU. Os documentos do IPCC pouco tem de científicos. Para conceituar os motivos do aquecimento global utilizam-se de palavras pouco firmes como "Very likely" ou, traduzido para o português, "muito provável", que seja causado pelos gases de efeito estufa.

O que o IPCC não lembra de colocar em seus documentos é que um Aquecimento Global tão forte quanto o atual já foi verificado antes de 1946, quando a atividade industrial não era tão forte quanto hoje. Naquela época o ser humano produzia 6% do CO2 que produz hoje. Logo depois da Segunda Guerra, quando a produção industrial teve um crescimento substancial, o que se mostrou nos gráficos meteorológicos foi um resfriamento do planeta. Ora, se o Aquecimento Global é causado pela emissão de CO2 pelo homem, como se explicar que os Aquecimentos Globais anteriores foram tão ou mais fortes que o atual e sem interferência humana?

O ciclo de aquecimento global que terminou em 1946 aconteceu pelo aumento da atividade solar e diminuição do albedo planetário pela diminuição da atividade vulcânica no planeta. Atualmente a atividade vulcânica no globo é tão pequena como em 1946 e a atividade solar é muito maior. E é acompanhado por períodos de maior e menor atividade solar e vulcânica que o planeta aquece e esfria naturalmente a bilhões de anos.

A histeria do aquecimento global jogou no lixo a ciência séria e ambientalismo verdadeiro. Confunde-se preservação ambiental, necessária para todos os humanos, com tentativas histrionicas de controlar o destino do clima da Terra com protocolos absurdos e anti-produtivos como o de Kyoto. Preservação e histeria são coisas completamente distintas. Elas só se unem nas cabeças de pessoas que não estão a serviço de uma verdadeira causa ambiental e científica e sim de uma causa unicamente política. Nesse caso, a burrice global tem se mostrado um problema muito mais devastador que o aquecimento. São temas para a segunda parte desta série.

Artigo publicado no jornal Informante em 15 de maio de 2008

Tuesday, April 22, 2008

O Trololó Anticapitalista

Não há capitalismo no Brasil.

É fácil escrever o contrário. Mais fácil ainda é denominá-lo como "injusto", "excludente" ou qualquer outro adjetivo que caiba no dicionário prático de nossa esquerda retrógrada. Para alguém chamar de "capitalista" a realidade econômica do Brasil é necessário que esse alguém esteja de má fé ou extremamente desinformado sobre o assunto. No Brasil, há ainda quem tente praticar o verdadeiro capitalismo. Esses poucos encontram adversidades intransponíveis, devido à própria realidade anti-capitalista existente por aqui.

Algum tempo atrás, Luiz Carlos Ruschel Gomes, em sua coluna, resolveu contar uma historinha fictícia para retratar as agruras do povo trabalhador em detrimento do lucro buscado pelo empresariado. É claro que se trata de discursinho fácil. O capitalismo jamais foi um tratado de igualdade social. Ao contrário. Seu maior mérito é ter na diferença entre os indivíduos a base para seu sucesso. E nesse caso não se pode esperar do empresário, coisa diferente da busca pelo lucro. Não esperemos solidariedade hipócrita. Não esperemos que um empresário se lance a um empreendimento buscando justiça social para os "excluídos". Não. O empresário busca o lucro. O emprego é a conseqüência disso. A melhoria social é conseqüência disso. Quando o meio empresarial lucra, lucramos todos por tabela. Seja pelos impostos pagos pelas empresas, seja pelo saldo positivo na balança comercial, seja no barateamento da produção de bens e serviços para todos.

Mas é mais fácil transformar o empresariado e o capitalismo nos vilões da história. É notório que no Brasil se denominar empresário pode ser mais mal visto do que se denominar bicheiro. Criamos uma cultura contrária ao empreendedorismo. Criar uma empresa, no Brasil, requer sangue suor e lágrimas, além de uma boa dose de paciência. Perdem-se meses em trâmites burocráticos na criação de uma empresa. E para se fechar ela, são necessários ainda mais meses de burocracia.

Aliado a tudo isso, temos o Estado ineficiente e sócio do atraso. Aquele que toma do empresário e dos cidadãos 40% de seus rendimentos, revertendo-os em corrupção, peleguismo e mais ineficiência. A toda esta realidade punitiva ao empreendedor, chama-se convenientemente de capitalismo. Em toda esta realidade punitiva ao empreendedor, o empresário que sai de um lugar para montar negócios em outro, em busca de vantagens, é tratado como desumano. Como destruidor de famílias e realidades sociais. É nada. O empresário busca melhores condições para continuar a produzir bens e serviços e, por que não, a lucrar. Do contrário, pela caridade e em nome dos bons sentimentos, verá seu negócio ir à bancarrota e os pobres funcionários se verão sem emprego da mesma forma. Economias diversificadas é que levam a prosperidade. Farroupilha demorou a seguir este caminho. Economias capitaneadas pela produção de apenas um produto tendem a se esfacelar com o tempo. Foi o que aconteceu com nossa cidade quando tivemos a saída da Grendene rumo ao Nordeste. Nossa economia, refém de um produto só, demorou anos para retomar o caminho certo. Em efeito dominó outras empresas de calçados acabaram quebrando. A alguns parecia conveniente culpar Alexandre Grendene pelo ocorrido, mas como empresário, ele só podia buscar o melhor para sua empresa, e foi o que fez. É mais fácil pinta-lo de vilão do que avaliar a falta de critério das administrações públicas que não incentivaram uma economia mais diversificada. Hoje, a cidade conseguiria absorver muito melhor o impacto da perda de uma grande empresa.

Equações complicadas como essas são parte do mundo capitalista. Alguns perdem e outros ganham. Os que perdem precisam buscar maneiras de voltar a ganhar e os que ganharam precisam buscar novas receitas para continuar ganhando. Não, este não é o discurso fácil de fazer, mas é o verdadeiro. O país, os estados e os municípios precisam entrar de cabeça no mundo da competição capitalista. Precisam se tornar atrativos para o investidor e para o empreendedor. De outra forma, continuarão a ver o desenvolvimento econômico fugindo para outras regiões. No entanto, não podemos continuar com o ranço anti-capitalista cultural que temos. Não podemos abominar o lucro. Não podemos temer o capital privado. Não devemos ignorar a força e capacidade do indivíduo. E por fim, não podemos nos apegar ao sentimentalismo piegas do mundo ideal. Ele se mostrou um fracasso completo onde foi levado a sério. O mundo real tem imunidade a devaneios coletivistas utópicos.

Artigo publicado no jornal Informante

Friday, March 21, 2008

A Quem o Brasil se Agacha

Na semana passada Condoleezza Rice esteve no Brasil. Visitou o Pelourinho, em companhia do ministro Gilberto Gil. O roteiro de Condoleezza pelo Brasil mostra como o Departamento de Estado dos EUA tem se pautado pela inocência e até covardia no trato com seus interlocutores latino-americanos, especialmente o Brasil. Eles têm em Lula um aliado confiável, um interlocutor. Evidentemente que o Departamento de Estado esta enganado.

Em 1990, juntamente com Fidel Castro e lideranças de mais de 100 partidos e organizações de esquerda, entre elas o MIR chileno e as FARC, Lula criou uma poderosa central estratégica, denominada como Foro de São Paulo. Uma grande assembléia que decidiria os rumos da esquerda latina. Quase duas décadas depois, muitas de suas ambições foram alcançadas. Brasil, Bolívia, Cuba, Venezuela, Argentina, Equador e Nicarágua são governados por gente envolvida com o Foro de São Paulo.

A crise recente entre Colômbia, Venezuela e Equador mostrou as entranhas da esquerda latina, que unida, acoberta o terrorismo das FARC, o braço armado do Foro de São Paulo. O governo Brasileiro tratou de ignorar solenemente os laços do governo de Rafael Correa com a narco-guerrilha comunista, e junto aos demais governos Latinos se limitou a criticar a invasão da Colômbia no território Equatoriano. Em recente entrevista ao jornal Le Figaro, da França, o assessor de assuntos internacionais de Lula, e integrante do Foro de São Paulo, Marco Aurélio Garcia, informou que o Brasil não considera as Farc como organização terrorista, e que tem posição neutra sobre ela. Trata-se evidentemente de acobertamento. O Ministério das Relações Exteriores, na pessoa do ministro Celso Amorim, jamais refutou as afirmações de Marco Aurélio Garcia. Ao contrário. Tratou de reafirmá-las de uma forma menos evidente.

O comportamento do Brasil nas questões internacionais, desde o início do governo Lula, tem sido caracterizado pela complacência com ditaduras e grupos armados. O silêncio vergonhoso do Itamaraty sobre o genocídio em Darfur, no Sudão, é um bom exemplo disso. Em contrapartida a benefícios de exploração de petróleo que o governo sudanês daria a Petrobrás, a representação diplomática brasileira da ONU manter-se-ia em silêncio sobre os genocídios cometidos contra grupos religiosos cristãos naquele país. Desde 2003, mais de 200 mil pessoas já morreram.

Um desejo antigo da política externa brasileira é integrar, em caráter permanente, o Conselho de Segurança da ONU. Na opinião de diplomatas brasileiros, seria uma oportunidade única para o Brasil desempenhar seu suposto papel de liderança continental. Em minha opinião seria uma oportunidade única para o Brasil desempenhar sua função de acobertamento indiscriminado de ditaduras, genocídios e grupos terroristas. Seria entregue ao país um foro internacional importantíssimo para que? Para que possamos justificar a ditadura de Hugo Chávez? As ações humanitárias das Farc?

O governo americano jamais quis olhar a realidade da política externa brasileira. É comum que dirigentes americanos ignorem os protestos esquerdistas contra os EUA. Eles tratam exclusivamente com as lideranças “moderadas” que estão no governo. É um erro. A realidade política do Brasil é comandada pela militância radical, do qual a suposta “moderação” é apenas uma estratégia de distração.

Artigo publicado no jornal Informante